Quarenta e oito anos em cena ensinam uma coisa: o palco não mente.
E foi no espaço entre uma fala e outra — naquele silêncio que só os atores conhecem — que a Cabala começou a falar mais alto do que qualquer texto.
Leonardo Thurler nasceu em 1965, no Morro do Escondidinho, entre o Fallet e o Fogueteiro — no Rio de Janeiro em plena ditadura. Aos quatro anos e meio foi morar em São Gonçalo, onde começou sua trajetória educacional e sua formação como sujeito.
Aos 13 anos entrou para o teatro pela Escola Municipal Castelo Branco — e de lá nunca mais saiu. O que começou como iniciação tornou-se uma vida inteira de aprendizado. Quarenta e oito anos depois, Leonardo conhece o teatro de dentro para fora — como ator, diretor, assistente de direção, produtor, iluminador, sonoplasta, cenógrafo, educador e educando. Cada função exercida com a mesma entrega: a de quem sabe que em cena não se mente.
Pelo caminho, passou pela cultura, pela saúde e pela educação. Formou-se técnico em radiologia e pedagogo pela Faculdade de Formação de Professores da UERJ — onde dedicou cinco anos à pesquisa em história da educação. Cada uma dessas experiências deixou uma camada — e todas elas estão presentes em quem ele é hoje.
A escrita chegou cedo e ficou. É autor do livro Dúvidas na Língua — com blog homônimo de grande acesso em duvidasnalingua.blogspot.com.br — e da fábula A Floresta Encantada, publicada na Amazon. Construtor de sites e produtor de conteúdo digital, Leonardo entende que a palavra não escolhe suporte: ela escolhe verdade.
A espiritualidade sempre esteve lá. Mas a Cabala chegou com nome depois da faculdade, em 2005 — quando algo que já vivia em silêncio encontrou palavras, estrutura e profundidade. Foi nesse mesmo ano que começou a escrever Revelações de Anytta.
Vinte anos depois, o romance está pronto. Não porque o autor chegou a algum destino — mas porque aprendeu que a escrita, como a Árvore da Vida, é um caminho que se percorre, não uma montanha que se conquista.
“Não sou um expert em Cabala, Torá, Talmud ou Árvore da Vida. Sou um estudioso e praticante — errando, aprendendo e construindo. Vivendo o que é para ser vivido e corrigindo o que é para ser corrigido.”